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06/02/2013

SOBRENOMES DE CAMPEÕES BRASILEIROS E A DECEPÇÃO NA FÓRMULA 1

Sobrenomes de campeões brasileiros na F1
Nelson Piquet, Ayrton Senna e Emerson Fittipaldi derão oito títulos para o Brasil na Formula 1
por Delano Braga

A Fórmula 1 2013 começou esta semana com as apresentações dos novos modelos das equipes e os primeiros testes para pré-temporada, e a confirmação definitiva de mais um brasileiro na categoria. Luiz Razia vai pilotar o carro número 22 da escuderia Marussia como foi publicado dias antes aqui no blog. Mas, diante dos fatos e toda história que envolve a maior categoria do automobilismo desde 1950, um ponto interessante chama atenção aos apaixonados pela velocidade. Trata-se dos sobrenomes de pilotos que não conseguiram as mesmas glórias e o sucesso que outros parentes próximos alcançaram, seja pela sorte ou talento de natureza própria. Contudo, alguns destes sobrenomes pôde demonstrar um pouco das caracteristicas genéticas e a velocidade correndo no sangue. Isso foi comprovado por dois títulos mundiais e quatro vencedores em provas, como no caso de Damon Hill (filho do ex-piloto Graham Hill e único campeão como seu pai). Jacques Villeneuve também filho do lendário Gilles que morreu em treino na corrida da Bélgica em 1982. O pai não obteve o título, mas o filho conseguiu justamente derrotar um carro Ferrari que marcou todo o arrojo e garra do grande piloto canadense. Villeneuve derrotou na época o bicampeão Michael Schumacher que também faz parte do grupo formado por sobrenomes famosos, porque seu irmão Ralf venceu seis corridas entre 2001 e 2003, dividindo curvas e ultrapassagens ao lado de seu único irmão. No ano passado outro piloto entrou para lista na etapa da China. Quando Nico Rosberg venceu sua primeira prova e ser filho do campeão Keke Rosberg. O pai é finlândes, mas seu primogenito é natural da Alemanha por causa da mãe, mas o gosto pela velocidade ficou interligado nos laços familiares. Como em caso de outros pilotos e seus parentescos arriscando suas vidas e o sentimento fraterno.

Christian correu três anos na F1 e hoje compete no Brasil e exterior

Os pilotos brasileiros também são exemplos sobre o peso que marca o sobrenome na categoria mais vista por milhões de telespectadores em todo mundo. Isso ocorreu justamente com nossos três campeões nacionais e detentores de oito títulos por mais de 40 anos. Contudo, o sucesso garantido por seus parentes mais velhos não aconteceu em relação ao mais jovens, seja motivos ligados a forte pressão da mídia em tentar mostrar uma esperança nostálgica por parte dos torcedores que acompanha toda temporada, desde os primeiros resultados concretos de vitórias e nas exposições da bandeira nacional nos pódios das corridas no início dos anos 70. Emerson Fittipaldi conquistou o bicampeonato mundial em 1972 e 1974 por Lotus e Mclaren. Passados 2o anos do primeiro título brasileiro na Fórmula 1, seu sobrinho Christian (foto) seguiu os mesmos passos de seu tio, irmão de seu pai Wilsinho que também foi piloto da categoria. Após três temporadas correndo pelas equipes Minardi (1992 e 1993), Arrows (1994) seus melhores resultados foram três quartos lugares, na corridas da África do Sul em 1993, nas provas do Pacifico e Alemanha em 1994. Após os resultados sem grande expressão, Christian Fittipaldi desistiu de competir na categoria e se aventurou pelas pistas dos Estados Unidos através da Fórmula Indy, na qual garantiu maior sucesso em relação quando pilotava um Fórmula 1. Após oito anos nas pistas americanas, ele se aventurou nas categorias de turismo, onde em janeiro Christian disputou as 24 horas de Daytona correndo ao lado de outro sobrenome brasileiro que será citado logo abaixo.

Sobrenome Piquet F1
Nelsinho hoje compete na Nascar Truck Series nos Estados Unidos

O outro pupilo em questão é Nelson Ângelo Piquet (foto), ou popularmente chamado de Nelsinho. O jovem é filho do tricampeão Nelson Piquet que competiu na Fórmula 1 por 13 temporadas e obteve 23 vitórias, além de ter garantido dois títulos com a escuderia Brabham nos anos de 1981 e 1983 e mais o terceiro com a Williams em 1987. Nelsinho se destacou não só pelo fato de ser filho de um campeão das pistas, mas pelas atuações quando corria de kart e nas aventuras através das categorias de base antes de garantir uma vaga na principal competição do velho continente, a F-1. Nelsinho apresentou grande desempenho nos circuitos sulamericanos e europeus que garantiu os títulos na F-3 Sulamericana em 2002 e na F-3 inglesa dois anos depois. Apesar do vice-campeonato da GP2 em 2006, perdendo a taça para Lewis Hamilton, Piquet Jr enfim fez sua estreia no ano de 2008 pela Renault, ao lado do bicampeão Fernando Alonso. No primeiro ano, ele obteve bons resultados como um quarto lugar na etapa do Japão e o seu único pódio na categoria, ficando em segundo na corrida da Alemanha em Hockenheim, atrás do próprio Hamilton grande rival na GP2 Series. Nelsinho terminou o campeonato com 19 pontos. Porém na temporada seguinte, o piloto talvez passou pelo maior constrangimento e o pior momento da carreira. Foram descobertos por membros da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) uma manobra da equipe Renault que gerou o maior alvoroso por causa de uma conduta rídicula e anti-esportiva na qual o próprio Nelsinho foi vítima e forjou uma batida no intuito de beneficiar seu companheiro Alonso e assim poder vencer a corrida de Cingapura no ano anterior. Houve denúncias graves que levou ao julgamento e inquéritos sobre o caso. O diretor da equipe Flávio Briatore foi condenado, contudo Nelsinho saiu inocente das acusações. Por outro lado, o brasileiro viu suas chances de continuar na Fórmula 1 se acabar de vez depois de toda esta situação. Após sair da categoria pela "porta dos fundos", o filho de Nelson Piquet destina-se atualmente nas competições da Nascar no Estados Unidos com boas atuações e conquistando vitórias. Quem sabe possa estar disputando os títulos na categoria da Truck Series nas pistas ovais do automobilismo americano.

Sobrenome Senna F1
Bruno vai competir esse ano no Mundial de Endurance (WEC)
O terceiro sobrenome trata-se de Bruno (foto), sobrinho do tricampeão Ayrton Senna. O piloto confirmou essa semana que não vai competir na Fórmula 1 por não ter garantido uma vaga como titular. Desde pequeno e por influência do tio famoso queria seguir os mesmos passos do campeão de 1988, 1990 e 1991 quando garantiu os títulos pela Mclaren. Após a morte do tio no circuito de Imola, o garoto teve que dar uma pausa na carreira. Após dez anos do falecimento de seu tio, Bruno Senna resolveu voltar a competir. Entre os anos 2005 à 2009, correu nas categorias de base antes da garantir uma vaga na Fórmula 1. Seu desempenho na GP2 em 2008 e o vice-campeonato chamou a atenção das escuderias da F-1. Ele fez testes pela Honda, mas pouco depois o time japonês acabou e ele não conseguiu correr naquele momento, quando competiu na Le Mans Series por um ano. Em 2010, Bruno Senna assinou um contrato com a estreante Campos, diante das novas equipes em acordo com entidade, e na boa estrutura do time espanhol. Todavia, a escuderia fechou as portas antes mesmo do campeonato começar e ele só conseguiu ir para pista graças a compra da estrutura pelo empresário José Ramon Carabante, sócio do time, que rebatizou como Hispania (HRT). O piloto sofreu muito ao correr no ano de estreia com o fraco chassi. Já em 2011, Bruno Senna assinou com a Renault para ser o reserva. Durante a temporada, após o acidente de Rali com Robert Kubica e o fraco desempenho de Nick Heidfeld na metade da temporada fizeram a equipe promove-lo para vaga de titular. 
 
A aventura durou oito etapas, e ele pouco pôde fazer com um carro que não estava mais desenvolvido. Bruno Senna, por sua vez, foi para Williams. Por contrato, foi obrigado a abrir mão de 75% no primeiro treino livre para o reserva Valtteri Bottas. Depois do fim da temporada, ele afirmou que seu desempenho foi prejudicado por falta das atividades de pista, mas admitiu que não fosse fazer tanta diferença. Na tentativa de permanecer na F-1, Bruno contou com um bom aporte financeiro. Apesar disso, optou por seguir um novo desafio na carreira, no mundial de Endurance pela Astron Martin, com objetivo de brigar por vitórias. A passagem de Bruno Senna na F-1 durou 46 corridas. O melhor resultado foi na Malásia, quando ficou em sexto lugar. O piloto marcou a volta mais rápida na Bélgica e fez sua despedida no Brasil onde se envolveu num acidente após a largada. Muito longe de repetir o desempenho de Ayrton Senna, Bruno teve que conviver com críticas e acusado por torcedores de não honrar o próprio sobrenome em comentários na internet. Outros consideram a passagem dele pela Williams como forma de "pagar uma dívida", quando seu tio Ayrton morreu pilotando o carro da equipe em 1994, considerado pelos os amantes do automobilismo como um dos piores fins de semana na história da Fórmula 1. 

Agora se avaliarmos bem a qualidade e todas as atuações destes "três sobrenomes de peso", vamos chegar a real conclusão que não é o grau de parentesco que vai medir a performace e as ações de sucesso somente pelo simples fato de possuir uma hierarquia ou características físicas em comum. Mas os mais ufanistas e patriotas sente justamente essa "decepção" em pensar que aquele piloto da família será tão vencedor como o seu antepassado. Mas no mundo que corre à Fórmula 1 o nepotismo nem sempre vence, mas sim as atitudes e a mágia que exerce o automobilismo no mundo.


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