O Mundo Esportivo divulga notícias e textos em forma de rascunho aos leitores desta página com credibilidade

20/10/2011

ÚLTIMO TÍTULO DO BRASIL NA FÓRMULA 1 COMPLETA 20 ANOS

Ayrton Senna foi o último brasileiro campeão mundial de F-1
 
por Delano Braga

O ano era 1991 e foi marcado por grandes mudanças no cenário mundial, como o fim da União Soviética, a Guerra do Golfo envolvendo os Estados Unidos contra o Iraque além dos fato em destaque naquele momento. Entretanto, outro acontecimento marcou o esporte mundial. Trata-se do último título do Brasil na Fórmula 1 e também de Ayrton Senna (foto). O piloto brasileiro era o príncipal nome para conquistar o campeonato daquela temporada, por ter sido aclamado o atual campeão depois da polêmica batida contra o francês Alain Prost na pista de Suzuka na decisão do título em 1990. O piloto da equipe Mclaren-Honda teve de utilizar toda sua garra e superação para derrotar o inglês Nigel Mansell como também sua poderosa Williams-Renault com o modelo FW14 e tentar manter o número um estampado em seu carro.

O começo de temporada para Ayrton foi o melhor possível e arrasador. Sobretudo, com a obtenção dos resultados do ínicio da temporada foram muito importantes para conquistar o terceiro título mundial. Com quatro vitórias seguidas e um aproveitamento de 100% garantiu tranquilidade. Sem mencionar a grande pilotagem apresentado na segunda corrida do calendario, no Grande Prêmio Brasil, em Interlagos diante dos torcedores brasileiros. Senna venceu de maneira épica com apenas utilizando a sexta marcha e um sistema eletrônico em seu carro que possibilitou o tal feito em um final eletrizante. Em compeensação, seus rivais diretos somavam até o momento poucos pontos. Nigel Mansell e seu companheiro de Williams, Ricardo Patrese, marcaram apenas seis pontos, enquanto o adversário dos tempos de Mclaren, Alain Prost na época correndo pela Ferrari, tinha 11 pontos. O inglês tinha tudo para diminuir a diferença em relação à Senna na quinta etapa, onde o brasileiro abandonou na prova do Canadá. Mas na última volta, o carro do inglês parou de funcionar devido ao controle eletrônico de sua Williams. Com isso proporcionou ao outro brasileiro, Nelson Piquet vencer sua última corrida de F-1.

O piloto da Benetton-Ford após esse resultado assumiu a vice-liderança da temporada com 16 pontos, mas seu carro não tinha o mesmo ritmo e potencial perante as rivais Williams e McLaren, que eram as principais equipes daquele campeonato. No decorrer do campeonato veio a reação do famoso 'Leão', confirmado a força da escuderia Williams nas etapas seguintes. Ricardo Patrese venceu apertado na corrida do México, onde Mansell completou a dobradinha da escuderia Williams com menos de um segundo atrás. Ayrton Senna terminou a corrida em terceiro e ainda mantinha confortável na liderança do campeonato com 44 pontos contra 20 de Ricardo Patrese, 16 de Nelson Piquet e os 13 alcançados por Nigel Mansell com o segundo lugar.

Entretanto, estava bem claro que o modelo FW14 dotado do revolucionário câmbio semi-automático, tinha melhor rendimento em relação as Mclarens nos circuitos de alta velocidade. Após duas provas no Canadá e México, a categoria voltava para o velho continente. Ayrton Senna somou apenas sete pontos nas três etapas seguintes que foram França, Inglaterra e Alemanha. Enquanto o rival Mansell alcançou os 100% de aproveitamento e venceu todas as corridas marcando 30 pontos. O britânico diminuiu muito a vantagen para apenas oito pontos, e assim colocava em risco o objetivo de garantir mais um título para o brasileiro. Senna sabia muito bem que na corrida seguinte da Hungria, era muito importante terminar na frente do rival para suas pretensões de poder ganhar o mundial. Era fundamental nessa hora conter o avanço da equipe  Williams, que notoriamente tinha o melhor carro da temporada.

A McLaren programou para Hungaroring a estreia do câmbio semi-automático para equilibrar as forças perante a equipe rival. A atualização ajudou Ayrton em superar Mansell na pista travada de Budapeste e poder vencer no circuito. Em Spa-Francorchamps na Bélgica, Senna deu um passo decisivo para sua escalada rumo ao tricampeonato. O carro do brasileiro rendeu bem melhor que a Williams de Mansell, tanto que ele foi mais rápido que o rival na classificação oficial, justo no circuito onde favorecia o chassi FW14 do competidor britânico. Senna liderou boa parte da corrida, mas sempre seguido de perto por Nigel, até que o carro do inglês quebrou e isso deixou o caminho livre para mais uma vitória de Senna em poder desfrutar do resultado e abrir boa vantagem.

Naquele momento do campeonato, Senna tinha 71 pontos com uma vantagem de 22 pontos sobre Mansell, faltando apenas cinco etapas: Itália, Portugal, Espanha, Japão e Austrália. Na corrida seguinte no lendário circuito de Monza era uma das últimas oportunidades para o piloto da Williams tentar se aproximar de Senna na classificação de pilotos. O britânico confirmou o favoritismo e venceu a prova depois de travar boa disputa com o brasileiro, que largou na pole. Senna terminou em segundo, tornando a vitória do inglês praticamente irrelevante em termos da diferença no campeonato. Mansell teria nova chance para se aproximar de Senna em Estoril (Portugal). A Williams mostrou toda força com seu potente carro no circuito lusitano e assim podê garantir uma dobradinha na primeira fila do grid de largada, mas com Patrese à frente do companheiro de equipe. Nigel Mansell passou o italiano e parecia caminhar firme para mais uma vitória e tirar mais vantagem sobre o líder Senna. 
 
Contudo, a equipe inglesa cometeu uma falha grave nos boxes e liberou o piloto sem apertar corretamente uma porca do pneu traseiro direito. Mansell acelerou para deixar os boxes, quando o pneu se soltou de seu carro. A Williams recolocou a roda no pit-lane, procedimento proibido no regulamento, que acenou bandeira preta e desclassificou o britânico. Senna terminou na segunda colocação, somente atrás do companheiro de Nigel Mansell, Ricardo Patrese. Era o tricampeonato que se aproximava. A vantagem de Ayrton sobre Mansell aumentou para 24 pontos.

A pressão estava toda recaída perante Nigel Mansell, que tinha cada vez menos chances de poder superar Ayrton Senna e ainda tentar conquistar seu primeiro título mundial. Senna não teve grande desempenho em Barcelona, e correu só para somar alguns pontos. Já Mansell, ao contrário, deu tudo de si, onde superou o companheiro de Senna, Gerhard Berger e venceu o GP da Espanha com autoridade. Na corrida decisiva do campeonato em Suzuka, Ayrton Senna precisava terminar apenas à frente de Mansell para garantir o sonhado título. A McLaren dominou o fim de semana no Japão, mas sempre com Berger na frente de Senna. Desde o começo da prova a estratégia da Mclaren era o austríaco disparar na liderança, deixando todo trabalho do brasileiro em segurar ao máximo a voracidade de Mansell que vinha logo atrás em terceiro lugar. Mas ao completarem a volta de número 10, o inglês cometeu um erro banal e perdeu o controle de seu FW14 na curva um para em seguida abandonar e acabar com todas as chances de garantir o primeiro mundial, que só levou no ano seguinte em 1992.

O momento marcava o tricampeonato do piloto brasileiro. Com o título já assegurado, Senna partiu atrás de Berger, ultrapassou o companheiro de equipe na 17ª volta. Desde então, o novo tricampeão dominou a prova e parecia seguir para mais uma vitória em sua carreira. Mas na última curva, logo após a chicane, o brasileiro abriu passagem para Berger, que venceu em Suzuka por ordens do chefe de equipe Ron Dennis. Nunca um segundo lugar foi tão comemorado por Ayrton, que encerrou a temporada ainda com mais uma vitória na etapa final na Austrália, disputado no encharcado circuito de rua em Adelaide. Por conta da forte chuva, a corrida teve apenas 24 minutos de duração e entrou para a história como uma das mais curtas provas da Fórmula 1.

Após a última conquista, o Brasil esteve muito perto de garantir mais um campeonato. Isso aconteceu no Grande Prêmio do Brasil de 2008, justamente na última corrida da temporada, onde o brasileiro Felipe Massa venceu a prova, mas ficou um ponto atrás do inglês Lewis Hamilton e viu o sonho de conquistar um mundial em seu próprio país chegar ao final por apenas 500 metros ou duas curvas. O jejum de títulos ou melhor a falta deles é comparado como na Seleção Brasileira de futebol que ficou exatos 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo. Portanto, isso está ocorrendo com grande tristeza no automobilismo brasileiro, justamente na maior categoria de monopostos do mundo.


Quando Ayrton Senna foi campeão, o Brasil era o maior vencedor na categoria e hoje foi superado por Inglaterra e Alemanha com nove títulos.

Aí fica a situação, o que fazer para o país voltar a ser campeão na Fórmula 1?


Nenhum comentário: